Projeto: Mulheres, sexualidades, diferenças e mudança social na cidade de São Paulo
Coordenação: Regina Facchini
Resumo:
Este estudo, com metodologia etnográfica, propõe investigar procesos de mudança nas convenções sociais relacionadas à sexualidade e o modo como gênero e sexualidade se intersectam com outros marcadores sociais de diferenças na produção de condutas sexuais, roteiros eróticos, contextos de vulnerabilidade e acesso à agência social. O universo pesquisado inclui 65 mulheres, residentes na região metropolitana de São Paulo, com idades entre 18 e 65 anos e diferentes orientações e trajetórias sexuais, estratos sociais e inserções étnico-raciais. A pesquisa combinará observação etnográfica e entrevistas em profundidade a fim de explorar condutas, mas também valores e convenções sociais a elas relacionadas. Esta proposta se justifica por sua relevância social e teórica. No que diz respeito à relevância social, procura produzir conhecimento que colabore para a ampliação dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres num contexto de feminização e pauperização da epidemia do HIV/aids, bem como para a compreensão das mudanças nas condutas e convenções sociais relacionadas à sexualidade. Do ponto de vista teórico, procura avançar na compreensão da intersecção entre sexualidade e outros marcadores sociais de diferença; ampliar o conhecimento sobre práticas e convenções eróticas para além dos limites das sexualidades dissidentes e das mulheres em idade reprodutiva; e, refletir sobre o aprendizado social da sexualidade por meio de roteiros eróticos sem, no entanto, abstrair o problema das dessimetrias de poder, como é comum em arranjos teóricos de inflexão funcionalista. Este estudo visa fornecer subsídios científicos para a formulação e aprimoramento das políticas públicas voltadas à prevenção das DST/Aids e à promoção dos direitos sexuais e reprodutivos de mulheres, vinculando-se, desta forma, à iniciativa do Plano integrado de enfrentamento da feminização da epidemia de Aids e de outras DST, do Ministério da Saúde, lançado em 2007 e do II Plano Nacional de Políticas para Mulheres, lançado em 2008 pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, especialmente no que diz respeito: 1) à promoção da saúde das mulheres e dos direitos sexuais e reprodutivos e 2) ao enfrentamento do racismo, sexismo e lesbofobia e das desigualdades geracionais.
Palavras-chave: Gênero, sexualidade, mulheres, interseccionalidades, erotismo